segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Postagem Mês de Agosto

Comentários do Filme e do Texto
Filme: Mar Adentro




Texto
Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p.


Apresentar um comentário de cada um desses e uma replica sobre o comentário de um colega.


Data final 23:59 do dia 30 de agosto de 2019

25 comentários:

  1. Meu nome é Kauê, sobre o Texto - "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p".

    Nunca havia pensando nas complicações em que uma pessoa - que foi cega a vida toda e de uma hora para a outra consegue enxergar – poderia encontrar. Uma pessoa que jamais viu cores, formas, profundidade e dimensão, coisas que nem damos a devida importância... Se visse alguma noticia dizendo que uma pessoa que foi cega a vida toda e hoje conseguiu enxergar, eu iria ficar achando aquilo incrível, imaginando como a vida daquela pessoa poderia melhorar. Mas o grande ponto que esse texto me trouxe foi o fato de que “sentimos pena” pelas pessoas cegas não enxergarem o mundo que vimos, mas a questão é que essas pessoas possuem o próprio mundo em suas vidas, que para eles são mundos ideais. O fato de “darmos” a visão para eles, é como se estivéssemos falando que tudo aquilo que ele aprendeu e viveu estava errado, e que ele precisa aprender tudo novamente. Talvez um cego não se sinta uma pessoa diferente, o problema é que nós os fazemos diferentes.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo quando diz que nós é que fazemos os cegos diferentes.
      Falta acolhimento, falta compreensão, ele não precisa "ver" o mundo como vemos.
      Ele precisa apenas de ferramentas para ver o mundo dele da maneira dele.

      Excluir
    2. Eu também fiz essa ligação com o filme "Como eu era antes de você", acho que por ser em épocas diferentes e pela condição financeira diferente dos protagonistas, o do "Mar Adentro" não teve tantas oportunidades de explorar essas opções de adaptação e isso influencia na sua decisão de eutanásia. O curioso é que nos dois filmes os dois optam pela mesma escolha, me levando a pensar que não é só a época, dinheiro ou tecnologia que pode mudar essa decisão e sim outros fatores psicológicos que você citou que devem ser trabalhados com vítimas da tetraplegia.

      Excluir
  2. Meu nome é Kauê, sobre o Filme - Mar Adentro

    Não sou muito fã de filmes antigos, e achei o filme muito parado na maioria das vezes. Assisti o filme “Como eu era antes de você” que conta uma historia parecida de um homem que após um acidente ficou tetraplégico e não viu mais sentido na vida e queria morrer, esse filme me veio na cabeça, pois ambos os filmes se baseiam muito no fato de todos ao redor tentarem evitar esse “direito” – como é colocado no filme – de tirar a própria vida. E uma questão ficou na minha cabeça, “Isso não seria a mesma coisa que um suicídio? Ou seriam coisas diferentes?” Não pude responder, mas o fato é que Ramon se tornou incapaz de fazer tudo aquilo que fazia antes, porém em nenhum momento buscou novas alternativas ou alguém mostrou novas alternativas de como ele poderia viver naquele estado. No filme “Como eu era antes de você” o tetraplégico após conhecer uma cuidadora que oferece diversas possibilidades para ele viver, percebe um mundo muito além daquele quarto e cama que vivia o tempo todo, ele consegue voltar a viver, porém a conclusão que tiro com esses dois filmes muito parecidos é de que os fatores psicológicos que envolvem todos esses fatos talvez sejam muito mais fortes que qualquer ação feita pelas pessoas ao seu redor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Achei muito boa essa conexão de "Mar Aberto" com "Como eu era antes de você".
      Concordo quando diz que faltou alguém mostrando outras alternativas de vivência para ele, entretanto, não acho que podemos tirar sua autonomia a ponto de escolher seu devido destino e fins.
      Quando tiramos isso dele, seu estado de impotência tende a aumentar consequentemente.

      Excluir
    2. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
  3. Meu nome é Mariana Goulart, sobre o texto "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p".

    Quando comecei ler o texto, achei incrível a possibilidade de uma pessoa que foi cega a vida toda ter a possibilidade de enxergar e pensei também como era possível alguém da própria família ser contra tal cirurgia. Talvez por ignorância de minha parte, nunca tinha lido sobre essas possibilidades de cirurgia que foram exemplificadas ao longo do texto, e também sobre casos de pessoas que passaram por elas e os relatos de familiares sobre como era a nova rotina de tais pessoas.
    Ao decorrer do texto fiz várias reflexões, como por exemplo, a de que nós que nascemos enxergando já criamos inúmeras expectativas sobre a fisionomia e aparência de uma pessoa que vamos nos encontrar pela primeira vez, e fiquei imaginando como foi para esse homem que passou a maior parte de sua vida sem enxergar, voltar ao seu trabalho e ver seus clientes e se ele havia se baseado em alguma coisa imaginado como seriam essas pessoas.
    Quando acabei de ler o texto me cobrei um certo posicionamento se caso acontecesse com alguém próximo a mim, qual seria minha opinião em relação dar a essa pessoa a oportunidade de enxergar, e talvez eu mude de opinião, talvez eu tenha sido influenciada pelo caso principal do livro mas acredito que hoje eu seria contra, pois a pessoa seria “colocada” em um mundo completamente diferente do que ela aprendeu e se acostumou durante maior parte de sua vida, talvez ela passe a enxergar mas não viva verdadeiramente. E aprender a ver significado nas cores, objetos, adquirir a noção de espaço, estabelecer uma relação entre tato e visão sejam coisas que causem mais frustações nessa pessoa e não permita que ela viva verdadeiramente. Pois acredito que o maior “problema” é o preconceito que nós que enxergamos temos com os cegos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Resposta ao comentário de Mariana Goulart sobre o texto "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p", por João Vitor Cruz.

      Mariana, também me surpreendeu muito os casos do texto. Também acho válida sua reflexão sobre as expectativas da aparência de alguém, nunca tinha parado pra refletir como é a imaginação de uma pessoa que nasceu cego, por exemplo.

      Porém, o que me chamou atenção é o viver verdadeiramente que você destacou. A pessoa, após perder a visão, de fato, (re)aprendeu o manuseio dos objetos, adquiriu outra noção de espaço, estabeleceu uma relação diferente com os sentidos.

      Acredito que ela fazer tudo isso uma terceira vez, após recuperar a visão, pode ser verdadeiro e potente como também trabalhoso e frustrante como você apontou.

      Excluir
  4. Meu nome é João Vitor Cruz, comento sobre o Filme - Mar Adentro.

    Ao acessar o blog, por um momento acreditei ter visto o filme errado. Isso porque no cartaz do filme aqui inserido, a fotografia que retrata o personagem principal Ramón no ''auge da sua vida'', o qual o protagonista do filme possuía um vivaz corte de cabelo e explorava o mundo trabalhando como mecânico de barco. Isso foi justamente o que me mais chamou atenção no filme: O que é o auge da vida? Creio que nós mesmos definimos.

    Talvez Ramón pudesse ressignificar sua experiência após o acidente que o levou a condição de tetraplegia e pouco ter pensado em eutanásia. E quem disse que ele não a fez? Poucos conseguem escrever com tamanha qualidade, seja em aspectos caligráficos como líricos. Contudo, interpreto que não foi o suficiente... Não por má vontade de sua família que do seu jeito com muito amor acompanharam sua trajetória. Tampouco por falta de empenho da personagem, foi nítido o quanto conhecer novas pessoas alterava seu humor e fazia refletir sobre a sua delicada relação com a morte.

    Quero enfatizar que nunca somos os mesmos mediante após os ditos processos de ''adoecimento'', o que está em jogo é se nos religaremos a quem éramos antes da experiência, como fez Ramón, ou se nos religaremos a quem a experiência nos transformou, como nas potentes histórias relatadas no texto do médico Sacks. De qualquer forma, acredito que não cabe a nós julgarmos: somente cada um de nós sabe o valor de cada experiência vivida.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, concordo com o Joao, a imagem que esta no blog da capa do filme é diferente da que se encontra na internet e nos sites de filmes. Acho tambem que o filme poderia ser um pouco mais acessivel, tipo tê-lo disponivel na netflix ou youtube, facilitaria o acesso de todo mundo

      Excluir
    2. Quando vi a capa esperava um filme completamente diferente, com muito mais ação e nos primeiros minutos também achei que estava vendo o filme errado ou que havia cortado o começo do filme... Achei interessante o ponto que você diz sobre religarmos, não tinha me dado conta de que ele encontrou uma nova forma de viver com base na escrita de livros e cartas. E acredito que ponto de religarmos com quem eramos no passado ou quem somos agora é a grande questão de todos, que sempre buscamos um auge da vida e esse auge está em constantes mudanças temporais, pois hoje coloco o auge da minha vida em um ponto, mas pode ser que daqui 10 anos esse auge esteja em outro ponto da minha vida, que até mesmo possa ser nesse tempo em que estou vivendo agora, mas que talvez ainda não consiga enxerga-lo como um auge. E concordo que Ramon não conseguiu movimentar esse auge temporal, ele se prendeu em um e não foi capaz de muda-lo, perdendo o sentindo de viver.

      Excluir
  5. Meu nome é João Vitor Cruz, comento sobre o texto "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p".


    Desses relatos, o que mais me surpreendeu foi o do paciente exilado que após a guerra viu sentido em sua vida na arte da pintura. Isso me remeteu a culpabilização do indivíduo que envolve o processo de saúde e doença, ao passo que muitas vezes é esquecido que a sociedade por trás dele, não raro, essa última é a grande responsável por causar circunstâncias que levem o mesmo a essa condição.

    Sendo assim, nós, como futuros profissionais da saúde e professores de Educação Física, devemos trabalhar numa perspectiva de auxiliar os portadores de necessidades especiais a ressignificar sua existência de forma respeitosa, sem esquecer os fatores histórico sociais que os cercam.

    ResponderExcluir
  6. Meu nome é Renan Oliveira, comento sobre o texto "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p".

    O texto trás uma reflexão sobre um homem cego (e alguns outros casos também) de pessoas cegas que voltaram a enxergar, a problemática do texto é quão eficaz seria a visão da pessoa que passou a vida inteira sem enxergar e já na sua vida adulta com alguns pré-conceitos formados e uma alfabetização e conhecimento prévio de objetos e afins, o quão ele seria capaz de reconhecer ou distinguir por exemplo um cubo de um globo como é citado no texto. O autor relata também muito sobre a vida de Virgil, faz uma breve contextualização de como tudo ocorreu e suas complicações de saúde quando criança, o que mais surpreende é o reencontro de Virgil com Amy, 20 anos depois ambos se reencontram e namoram até se casarem, uma história que havia começado há muito tempo atrás e que assim que Virgil tomou a decisão de ligar para ela ainda assim passaram 3 anos apenas mantendo contato via ligação telefônica, algo admirável e que certamente não aconteceria nos dias de hoje, com o domínio da tecnologia em todos os lugares do mundo e em grande parte dos lares, um contato visual é muito mais acessível.

    Já sobre o Filme - Mar Adentro

    Não gosto muito de filmes antigos e monotonos, não é o estilo que gosto, mas por um certo momento este filme me lembrou um outro filma que o senhor cadeirante passa a ser cuidado por um negro e eles se tornam muito amigos, não consigo recordar o nome do filme, apesar de serem historias diferentes, notei essa semelhança devido a terem coisas em comum, além da doença ambos nao tinham perspectiva de vida etc.
    O filme relata a história de vida de um homem, Ramón, este que está totalmente debilitado e acamado há um certo tempo por conta de um acidente após um salto seguido de uma pancada na cabeça e não se vê mais vivendo ou sobrevivendo apenas, o mesmo que tinha uma vida totalmente ativa, hoje (na época que se passava o filme) pedia todos os dias pela sua morte, pois o mesmo afirma que não estava mais vivendo como queria viver, com uma vida completamente dependente da sua esposa, ele se torna uma pessoa mais arrogante, certamente devido à situação em que se encontra e pelas circunstâncias que a vida o proporcionou.

    Porém o mesmo vai a julgamento para que fosse concedido uma decisão jurídica e racional sobre sua morte, o mesmo solicita o próprio suicídio na qual o mesmo espera por 28 anos, tempo em que se encontra tetraplégico.

    ResponderExcluir
  7. Meu nome é Lucas Meira, sobre o Texto - "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p".

    Durante a leitura do texto logo percebi a breve saída da zona de conforto em que estamos adaptados frente àquilo que chamamos de ver, esse "ver" é o que faz com que o amor incondicional e persistente da parceira de Virgil torne-se ainda mais incompatível com suas expectativas criadas anteriormente à cirurgia. Algo meramente construído socialmente que gerou, dessa forma, frustrações em ambos.
    Virgil não pode sentir ou deixar de sentir àquilo que nunca soube como realmente é.
    Querer/esperar que Virgil "veja" como vemos o mundo é tratar o problema como uma mentira, oferecer adaptação, assim como ferramentas para tal é dar cores e tons para que ele mesmo possa "ver" o seu mundo da maneira dele.

    Sobre o Filme - Mar Adentro

    A história de Ramón mostra basicamente como sua inconstância é exercida diariamente, ele traz para dentro de modo a remoer àquilo que encontra-se a seu redor gerando por conseguinte suas devidas frustrações, tende a ficar apenas com o que a de mais pior. Sua impotência.
    Ramón se mostra impotente frente àquilo que vê perante a sociedade, o que corrobora de maneira pertinente com o que Virgil passa durante o texto.
    São formas diferentes do cotidiano moderno, na qual estamos escassos de munições de acolhimento para essas pessoas, sobretudo frente a conjuntura vivida atualmente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Felipe Oliveira Bernardo30 de agosto de 2019 às 13:47

      Acredito, e citei em meu comentário que ambas as situações poderiam ao menos terem sido trabalhadas em busca de melhorias para os indivíduos, tanto Virgil quanto Ramón. No caso de Virgil, era de se esperar que o mesmo tivesse dificuldade ao conseguir utilizar o sentido da visão, pois desde pequeno ele aprendeu a "nortear-se" utilizando outros sentidos, o que é exemplificado quando ele tenta reconhecer seus animais de estimação apenas pelo olhar, e as dificuldades com profundidade, cor, dentre outros fatores o fizeram recorrer ao tato e em parte do texto até a "esquecer-se" que tinha a visão e não utilizar a luz em períodos noturnos em sua casa. Já no caso de Ramón, além da discussão social sobre o livre arbítrio, a situação a qual a personagem se encontrava poderia ser considerada mais deteriorante que a de Virgil, isso por Virgil possuía autonomia, tinha um trabalho, amigos e uma noiva/esposa, enquanto que Ramón dependia exclusivamente do auxilio de terceiros, o que passou uma imagem de impotência, e pode ter sido algo que tenha corroborado para a sua decisão. Quanto ao trabalho que poderia ser feito nas situações e que foi citado no início do comentário, uma ação multi e interdisciplinar poderia contribuir ou não para trazer melhorias para as personagens, porém, como aprendemos durante a nossa formação, é importante, não se pode haver a exclusão de indivíduo algum, ainda mais em um país subdesenvolvido e que tem muito a aprender sobre políticas públicas e de equidade como o Brasil (no caso, tratando os casos como se fossem nacionais). No mais, cada pessoa com deficiência possui a sua forma de "ver" o mundo, o que podemos fazer é auxilia-los de forma a continuar a ver o mundo a sua maneira inseridos na sociedade, e não trancafiados em um quarto, como Ramón.

      Excluir
  8. Me chamo Thainá Ares e comentarei sobre o texto "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p".

    O texto conta história de Virgil, um homem que ficou cego aproximadamente com 6 anos de idade por causa de uma doença inflamatória no cérebro. Uma oportunidade de "enxergar" de novo foi-lhe concedida através de uma cirurgia de retina inovadora. Mesmo vivendo bem, cego, com emprego, casa e estabilidade na vida ele aceita a proposta e faz a cirurgia. Infelizmente os resultados não são os esperados e ele enfrenta muitas dificuldades com sua visão parcial adquirida pós cirurgia que melhora e piora o tempo todo. Após muito sofrimento com a adaptação a nova vida, Virgil adoece e perde completamente a visão, além de ficar obeso, sem emprego, sem casa, depressivo e muito irritado com a vida.

    Ao início do texto pensei que seria alguma história sobre esperança e tecnologia medicinal, logo reparei que não era. Inicialmente eu concordei com a decisão de sua esposa de fazer a cirurgia seguida pelo pensamento de que ele não teria nada a perder. Porém quando li o resto da história reparei que não foi uma boa ideia, infelizmente não teria como prever o resultado da cirurgia e eles pagaram pra ver. A reflexão que fica após ler o texto é de que a deficiência não deve ser tratada como doença e que às vezes a adaptação pode ser melhor que uma falsa resolução do problema.


    Sobre o Filme Mar Adentro, o filme relata a luta de um homem chamado Rámon que ficou tetraplégico quando era jovem, pulando no mar onde havia um banco de areia no raso. Ele luta pelo direito de realizar a eutanásia por 28 anos desde seu acidente. Os cuidadores, familiares e amiga ao redor tentam fazer ele mudar ideia mas não tem sucesso, ele está decidido há muitos anos e quer ir até o fim. Durante o filme rola um romance e drama bem típico desses tipos de filme. E no fim ele comete a eutanásia com a ajuda de sua amiga, escondido do estado que não lhe concede a permissão.
    O filme é interessante pelo tema porém bem monótono e longo, é muito similar a um filme relativamente novo (Como eu era antes de você) que trata do mesmo tema, a eutanásia porém de um jeito mais intrigante.
    Vendo o filme eu tentei me colocar no lugar dele e imaginar o que eu faria, porém é muito difícil dizer sem realmente estar passando por aquilo. Considerando que ele tinha uma vida muito ativa e quase todos os seus prazeres foram tirados dele com a tetraplegia, eu entendo e suporto a ideia de que o estado deveria ter concedido o direito dele de cometer a eutanásia. O homem já sofre por não ter independência nenhuma e ainda não pode escolher seu destino, é muito sofrimento.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lelis Conte Genaro sobre o texto:

      Concordo com você, Thainá. Optar pela a cirurgia talvez não tenho sido o melhor a se fazer, já que Virgil estava muito adaptado ao seu estilo de vida, mas acredito que o amor de Amy e a vontade de fazer com que Vigil possa "enxergar" normalmente e desfrutar da visão como ela foi maior.

      Excluir
  9. Felipe Oliveira Bernardo30 de agosto de 2019 às 13:28

    Filme: Mar Adentro (2004)
    O filme Mar Adentro foi dirigido e teve seu roteiro escrito por Alejandro Almenábar, é um filme espanhol que recebeu o título de melhor filme estrangeiro pelo Óscar, além de ter recebido muitas outras premiações que celebraram esta grande obra. A trama do filme retrata a história de Ramón (Javier Bardem), ele era um mecânico de navios que em determinado momento foi visitar sua família, que residia em uma região litorânea, e se acidentou ao tentar mergulhar no mar, sofrendo uma lesão na sua cervical, o que paralisou seu corpo do pescoço para baixo, tornando-o totalmente dependente de sua família. Ramón viveu 28 anos de sua vida em uma cama, sempre dependente de sua família, até que depois de muito tempo decidiu-se por pedir judicialmente por uma eutanásia, a partir desse momento ele ganha fama nacionalmente.
    De acordo com Defino (1999) essa é uma situação que acomete cerca de 40 indivíduos a cada milhão no Brasil, as lesões traumáticas na cervical geram, na grande maioria dos casos, a perda de sensibilidade e capacidade motora parcial ou total para os acometidos, o que categoriza essa deficiência como adquirida. No caso de Ramón, o que tem o foco no filme é a sua vontade de eutanasiar-se, na qual se trava uma batalha entre o livre arbítrio e vontade de poder morrer quando quiser e a negação a isso por parte da família e justiça. Pensando na ideologia na qual estamos sendo formados pela UNIFESP, faltaram ações inter e multidisciplinares, que poderiam ajudá-lo a entender o seu caso e possivelmente melhorar sua condição e, quem sabe, alterar a sua decisão de suicídio.
    Que essa película possa servir de exemplo para o tratamento de novas pessoas acometidas por situações semelhantes de deficiência, pois no brasil, de acordo com o IBGE (2010), existem aproximadamente 750 mil pessoas com deficiência total motora, e essas pessoas necessitam de tratamento e acompanhamento adequado para que, remetendo-se ao pensamento de Ramón: possam viver ou morrer dignamente e com livre arbítrio.
    • Defino HLA. Trauma raquimedular. Medicina (Ribeirão Preto). 1999;32(4):388-400.

    Texto: "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p".
    Nesse texto a trama trabalhada e citada nos traz outra problemática que envolve pessoas com deficiência, no caso a dificuldade de uma pessoa que passou uma vida inteira sendo deficiente visual, que está adaptada a ver o mundo com “outros olhos”, que no caso são o tato e a audição. Quando passa por uma cirurgia para a correção parcial da visão o indivíduo sofre muito por não ter utilizado a visão e praticamente toda a sua vida, foi diagnosticado com retinite pigmentosa ainda na infância, fato que, em conjunto com adquiridas cataratas, corroborou para o seu diagnóstico. Sua deficiência pode também ser caracterizada como adquirida, assim como a da personagem do filme “Mar Adentro”, no caso a personagem principal no texto adapta-se a viver com a deficiência, de forma a não sentir tanta falta das demais, exemplificada por quando ele vai ao zoológico e mesmo após ter feito a cirurgia só consegue realmente distinguir e “enxergar” os animais após tocar, no caso uma estátua de um gorila.
    Mesmo se tratando de diferentes deficiências, no caso de Ramón (Mar Adentro) é uma deficiência motora e no caso de Virgil (Um Antropólogo em Marte: Sete Histórias Paradoxais) é uma deficiência visual, ambas geram situações as quais exigem muito dos indivíduos, porém, as políticas públicas possuem parcial culpa pelo mesmo, em ambos os casos ações interdisciplinares seriam de fundamental importância para a adaptação e o trabalho/potencialização das capacidades dos indivíduos para uma valorização.
    No Brasil, de acordo com o Censo do IBGE (2010), são aproximadamente 500 mil deficientes visuais totais, o que corrobora ainda mais para o investimento em políticas públicas, pois esse número é proporcional ao aumento total de indivíduos.

    ResponderExcluir
  10. Carina Menezes

    Sobre o filme: Mar adentro



    Todos nós temos o direito à vida, mas não somos obrigados à vive-las, essa discussão parece simples, afinal somos donos do nosso corpo. Mas desde sempre, e creio que, infelizmente ainda por muito tempo, nossa liberdade é regida por leis morais advindas de religiões, no Brasil, e na Espanha, como no filme, predominantemente cristãs.



     Sempre fui a favor da eutanásia, claro que bem assistida, e bem amparada psicologicamente, pois todos devemos, ou pelo menos deveriamos ter uma vida digna.



    A maior sensação me causada pelo filme, foi indignação, pois mesmo estando em situações parecidas, como no caso do padre paraplégico, não pudemos julgar a dor do outro, e pior ainda é saber, que há milhares, ou milhões de pessoas pelo mundo, apenas sobrevivendo, com dor, sofrimento, apenas para alimentar uma falsa moral de que todos temos liberdade, mas não podemos usa-la para deixar de sofrer.

    ResponderExcluir
  11. Comentário sobre o filme “Mar Adentro”:
    Não gosto muito de filmes com esse estilo, sobre drama e sofrimento, não é muito minha praia. Mas achei muito interessante e me fez refletir bastante sobre pessoas que vivem em situações iguais ou parecidas, me fez colocar no lugar delas e pensar o que faria se estivesse em seu lugar. A parte que mais me marcou foi quando Ramón disse que o mar lhe deu a vida e o mar a tirou, pois, o acidente ocorreu lá. É meio estranho pensar que o que você mais gosta de fazer na vida também pode ser o causador do seu maior sofrimento. Acredito que Ramón em algum momento de seus 28 anos tetraplégico tentou encontrar novas maneiras de encarar e recuperar o prazer pela vida, com a ajuda de sua família. Pensando sobre a situação de Ramón creio que o insucesso em tentar recuperar o prazer pela vida e o sofrimento vencendo todas as batalhas foram determinantes para acreditar que a eutanásia seria a melhor opção.

    Comentário sobre o livro: “ Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte: Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p”
    Gostei muito desse texto, do conteúdo à maneira que foi escrita, explicando muito bem como funciona a visão na perspectiva do Virgil. O texto conta a história de Virgil, um homem cego que faz uma cirurgia e passa a enxergar após 45 anos. Refleti bastante com essa história e o significado da palavra “enxergar” que é diferente para cegos e não cegos. Ele tinha uma maneira de viver o mundo, aprendeu desde pequeno, com as mãos, com o tato, totalmente diferente da nossa. A partir do momento que faz a cirurgia Virgil começa a “enxergar” um borrão e uma luz que para ele não muda nada pois não sabe o que é aquela imagem. As coisas só mudam quando o médico lhe diz algo e por saber que a voz vem do rosto ele descobre que a imagem que ele estava vendo era do rosto do seu médico. Ele virou uma criança no ato de “enxergar” aprendendo a noção de profundidade, tamanho e distância que antes eram completamente diferentes. Infelizmente com o passar dos anos a sua visão começou a piorar e acabou ficando cego novamente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse comentário acima foi escrito por Lelis Conte Genaro

      Excluir
    2. Essa questão da Eutanásia é uma questão muito delicada. Não devemos nos basear naquilo que nós acreditamos ser o certo, pois não estamos no lugar do outro para saber. E isso também vale para o caso do texto, pois a princípio inferimos previamente que recuperar a visão após anos sem enxergar seria algo maravilhoso, mas acaba que não é bem assim. Acho que a grande questão que permeia tanto o texto quanto o filme é tentar ser o outro, mas o outro em sua situação singular, isto é, de fato mergulhar no universo que construiu o outro como sujeito.

      Excluir
  12. Olá meu nome é Fernando e analisando tanto o texto quanto o filme me peguei em uma reflexão que eu gostaria de trazer é a particularidade de cada individuo perante a sua deficiência pois fiquei me perguntando oque será que Ramón faria se estivesse no lugar de Virgil e o que será que Virgil faria se estivesse no lugar de Ramon. Situações distintas até onde podemos compreender e ao mesmo tempo tão semelhantes. A compreensão por trás de um profissional, mesmo aquele que se utiliza de bases multidisciplinares ainda estaria em déficit em relação ao que as situações necessitariam.

    ResponderExcluir
  13. Carina Menezes
    "Sacks, O. W. Ver e Não Ver. Um antropólogo em Marte : Sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras. 1995. 123-165p".

    Que texto!

    Várias vezes, durante a leitura fechei os olhos, tateei coisas, tentando apenas sentir (sem sucesso, claro), sem imaginar visualmente no que estava tocando.

    As vezes, tomo banho totalmente no escuro, e pra mim é uma experiência muito boa, presto mais atenção na temperatura da água, no toque, no som do chuveiro, mas faço isso de forma facultativa, e isso não ocorre com os cegos, eles não tem opção, mas e se tivessem?

    Nunca tinha pensado na difícil adaptação que um cego teria ao enxergar pela primeira vez, e se isso realmente seria um desejo, costumo pensar que não sentimos falta do que não conhecemos.

    A única forma de imaginar foi como no próprio texto diz, um cego começar a ver pode ser equivalente à um vidente perder a visão, e isso soou bem assustador, pude imaginar a angústia que talvez Virgil ou Gregory podem ter sentido, tendo ainda por cima a expectativa das pessoas sobre eles e sua nova condição de "curados".

    ResponderExcluir
  14. O texto retrata a história de Virgil, o qual ficou cego aos 6 anos de idade. De certa forma, o texto o conduz a uma falsa direção e talvez o faça por uma reflexão essencial a que o texto se fundamenta. No início da leitura você cria uma expectativa em cima da cirurgia que promete retomar a visão de Virgil, mas em nenhum momento nos perguntamos se isso seria verdadeiramente positivo para a realidade daquele indivíduo. A história, por um momento, nos transcorre e julgamos com base naquilo que nós esperamos. Acontece que o texto acaba nos levando para um outro campo de ideias, pois o que para nós (leitores) seria uma maravilha para o sujeito que retoma a visão se torna um verdadeiro inferno. Todo o universo que ele criou, imaginou, se relacionou é forçado (com a visão) a se modificar. Acredito que ao final do texto a grande questão não é se é bom ou não, se achamos isso ou aquilo, mas uma lição de que a realidade também pode ser um ponto de vista.
    O filme ”Mar a Dentro”, basicamente, retrata a historia de um homem (Rámon) que após um acidente fica tetraplégico. A história se passa na luta de Rámon em ganhar o direito à eutanásia. É inevitável durante o filme julgarmos com base nos nossos preceitos morais e naquilo que nós mesmos vivemos a validade de não querer mais viver. Acho que a questão deve ser levada a uma questão muito além do pessoal, pois ninguém sabe a dor do outro. Cada um deve saber, estando lúcido e convicto, se quer ou não viver.
    Renan Franco

    ResponderExcluir